segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Trivial

Meus olhos castanho-escuros, estou alucinada pra te ver, te tocar, te cheirar de novo, e há mais o tesão do medo do terreno proibido do que qualquer outra coisa parecida com violentação, defloração, trangressão, estupro até - se você não quisesse, o que é absurdo, já que no fim as coisas sempre se repetem. Mas ainda relutamos porque parece que qualquer coisa raríssima vai se perder. Como uma porcelana que escorrega dos dedos e se estilhaça para sempre na dureza infinita do chão de cada um de nós.


Você me chama de maluca e pede histórias, mais histórias, sempre histórias, como alguém que nasceu aos quinze anos e perdeu todo o background de lobos, cordeirinhos, ursos, chapéus vermelhos, cantigas de ninar, crianças que se perdem na floresta e vão parar em jaulas de bruxas...Você não se importa de não entender minhas cartas: o que você quer é a música, os riffs, a sugestão, o que parece ser, o que você quer é esse sentimento espicaçado, um amor palavroso, tenso, marginal e meio louco que te dou. O que você quer é me ouvir porque sou a mágica que tira coelhos da cartola, e você é a criança encantada que acredita em mágica.

E eu só quero substituir a vida tosca por uma coleção infinita de histórias onde só acontece o melhor, porque só acontece o que a gente quer e o que a gente quer é não ter medo de nada.


Amanhã eu iria te contar qualquer coisa que já esqueci, porque não aprendi a falar.

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