terça-feira, 28 de outubro de 2014

Nada

De vez em quando eu saio da construção de tijolinhos vermelhos
Que mais parecem barreiras para o mundo lá fora
Onde existem plantas tão bem cuidadas, árvores tão frondosas
Pássaros de todas as espécies
Deixo a presença dos humanos
Deito no chão ou na grama
E me deixo ser picada pelas formigas
Enquanto observo as borboletas brancas e amarelas que me sobrevoam todos os dias
Não adianta chamar, elas sempre estão lá
Belas, metamórficas, passageiras
Mas só de vê-las já me sinto bem, já me sinto mais segura
Do que na presença tão constante e tão vagarosa dos humanos
Digitando, digitando, digitando, digitando, digitando, digitando, digitando...
Parando apenas por segundos para ver, através de uma tela
Fotos de uma planta bem cuidada
Ou de uma árvore frondosa
De pássaros de todas as espécies
Contam os minutos para beber água e comer
E falando sobre tudo que pensam conhecer
Digitando, digitando, digitando, digitando, digitando, digitando, digitando...
E lá fora, a água corre
A comida cai na terra
E as borboletas voando

"Hey babe...take a walk on the wild side"

terça-feira, 21 de outubro de 2014

mini poesia cósmica

sempre pensamos sobre tudo
nossa mente é uma rodovia transbrasiliana a nível estelar
vamos do norte ao sul em segundos-luz
eu paro no meio do caminho
orbito ao redor de todos
tentando encontrar uma gravidade que me faça permanecer
mas se eu parar de andar
e, depois, parar de girar
eu vou explodir
supernova no ar
eu sou a estrela que pulsa
brilhante, mas que se não se vê
que a luz não alcança a todos
mas abraça a quem tentar me enxergar mesmo que em um só lado
todos são estrelas
poeiras delas
em pedacinhos que, unidos, formam uma grande constelação
me sinto parte do universo observável
e quero voar mais alto e profundo
até onde a visão não alcance
apenas essa visão de mundo

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Céu


Pode ser a maior tortura ou o maior presente já visto e vivido por uma pessoa...mas entrar no fundo da própria alma, além da própria mente, está desconstruindo tudo o que acreditava como certo até agora.

Desconstruir: retirar a antiga fundição, desfazer a forma.

O que virá daqui para frente?

Estamos em uma viagem sem volta, perdidos no acostamento, pedindo por carona e sendo deixados em lugares que pensávamos ser os nossos destinos...e descobrimos que o caminho ainda é longo e que as placas não indicam nenhuma linha de chegada.

Não existe mapa, de papel ou tecnológico, que me diga para onde ir. Talvez olhar mais para cima e tentar entender tudo o que vem do céu seja mais interessante que qualquer acidente de percurso aqui na Terra.

Estou entregue ao que não me pertence....

"Uma ciência que se ocupa apenas dos fenômenos visíveis, tangíveis e mensuráveis, desconhece tudo o que se desenvolve ao nível mais subtil, o das quinta-essências e das emanações invisíveis, e daí deixa de ser verídica: escapa-lhe metade da verdade" (Omraam Mikhael Aivanhov).

terça-feira, 14 de outubro de 2014

sucesso

estamos no melhor lugar do mundo
ficamos tortos em cadeiras  semi-acolchoadas
não vemos a luz do sol
porque não temos nem janelas
o jardim é regado todos os dias
com fumaças de caminhões
a comida vale por quilo
o ar é condicionado
atrofiamos as mãos, as pernas
e a cabeça
uma máquina de criatividade feita em fileira
papel, caneta e telefone
uma máquina de ver o mundo
cercada de indústrias
óleo em combustão
fotos, poses
e um tico de coração