quarta-feira, 23 de junho de 2010

Julia Caputi

Eu gosto de homens. Tenho tesão por eles. Quero dizer, quantas mulheres eu já vi acariciando minhas pernas, apertando minha barriga, derrubando minha moral, me enlouquecendo (no bom e no mau sentido), alegrando minha sexta-feira, entristecendo meu sábado, mordendo minhas bochechas, me fazendo 
deitar em escadas de uma rua escura em uma noite de inverno, me fazendo andar pelas ruas de madrugada, me fazendo tomar chuva gripada, me dizendo 
que eu sou uma chata adorável, gostando de mim mesmo depois de saber que eu não era o que ele pensava ou tinha feito o que ele achava que eu não tinha? Confuso, não? Exatamente como eles...
Quero dizer, eu estou falando sobre os homens que eu conheci até agora. E quanto às coisas mais generalizadas, quantas mulheres eu já vi irritadas por uma falação que parece nunca ter fim, achando graça de tragédias, gostando de certas músicas, mijando em pé? Eu acho isso bárbaro. Eu acho que o homem da minha vida é o cara mais simples e, ao mesmo tempo, o mais estranhamente maravilhoso do mundo. 


E eu gosto de mulheres. Tenho tesão por elas. Quero dizer, quantos homens eu já vi me fazendo gostar de coisas bestas e/ou melosas, me fazendo rir de outras mulheres, me dizendo que eu fico melhor com alguma roupa que não tem simplesmente nada a ver comigo e quando experimento, descubro que cai bem mesmo, me dando bronca por causa das minhas frescuras, achando bonitinho quando eu escrevo coisas tristes, não se importando com a minha cara sem maquiagem, me achando linda sem necessariamente querer pegar em alguma parte minha, gostando de mim mesmo depois de saber que eu não era o que ela pensava ou tinha feito o que ela achava que eu não tinha? Confuso, eu sei. Quero dizer, eu estou falando sobre as mulheres que eu conheci até agora. E quanto às coisas mais generalizadas, quantos homens eu já vi me 
ligando só pra falar que acabou de fazer coisas como chorar e coisas assim, tristes por ser tratados como lixo pela Garota Mais Maravilhosa do Mundo pra 
eles ou não receber uma ligação no meio da semana da dita cuja e chorarem como crianças, ou virarem quase outras pessoas em alguns minutos de 
montagem pra Aquela Festa? Eu acho isso bárbaro. Eu acho que eu não vou ter só uma mulher da minha vida, vou ter várias, além de mim mesma. Admiro 
as mulheres profundamente, não só por ser uma.


E admiro os homens profundamente, não só por tudo que eu citei, mas por uma certa, digamos, vantagem: não ser um. Que dá vontade às vezes, dá, mas nessas horas  eu me satisfaço descobrindo cada vez mais o que eu puder deles e de sua essência, ou passando o tempo com um que eu realmente goste, ou simplesmente...escrevendo, como agora.


Eu sei que isso ficou gay, mas eu gosto de gays. tenho tesão por eles. de verdade!




*Relatos estritamente não-sexuais. Não gosto de nenhuma definição concreta. Não sou homossexual, bissexual e nem mesmo heterossexual. Apenas vivo! =)

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Nunca os dois

A gente deixa de fazer, de sentir, de ser. Seja por altruismo, receio ou até mesmo por vaidade. 
Traçar limites dentro de relações é um comportamento quase que instintivo, não queremos nos machucar assim como não querermos ser a causa da ferida aberta no peito de quem se ama. 


Não de propósito.


Não mais tocar no assunto - foi o conteúdo da promessa feita à mim mesma.


Os olhos tentam ocultar qualquer sinal de insatisfação, mas nos traem enquanto fitam o chão de maneira obsessiva. Pecamos com o silêncio contido em uma expressão triste. Pesada. 
A nossa mente revela ter um poder masoquista inigualável e se diverte com a memória de toda e qualquer palavra já proferida.


Prometi. Pra não doer em mim, pra não te fazer repetir.


Continuo não entendendo.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Screaming


A coisa mais difícil que existe é tentar adaptar a vida em versos.

Hoje eu vejo que eu tive que ir muito longe pra não querer mais voltar:


São 2 da manhã e ela me liga porque ainda estou acordado: "Pode me ajudar a solucionar meu último erro? Eu não o amo, essa não tem sido minha melhor estação".


Por que você não pode sair dos trilhos?
Por que somos como carros em uma corrida?
Se a vida é só uma ampulheta que se move sem parar...

Ninguém consegue achar o botão de voltar ou recomeçar?

Em março, eu quase pude inventar o botão pause.

Em maio, ele foi quebrado à força.

Naquele dia, quis sentar-se com uma garrafa na mão

Ele não tem estado sóbrio desde outubro do ano passado.

4 da manhã, e eu ainda estou acordada, escrevendo mais uma vez

Se eu puser tudo em um papel não estará mais dentro de mim
Eu me sinto nua diante da multidão
Porque essas palavras são meu diário e ele está gritando
E eu sei que você vai usá-las do jeito que quiser.



terça-feira, 25 de maio de 2010

Direitos de um artigo

Estamos com fome de amor.


"Uma vez Renato Russo disse com uma sabedoria ímpar: "Digam o que disserem, o mal do século é a solidão". Pretensiosamente digo que assino embaixo, sem dúvida alguma. Parem para notar, os sinais estão batendo em nossa cara todos os dias.

Baladas recheadas de garotas lindas, com roupas cada vez micros e transparentes, danças e poses ginecológicas, chegam sozinhas e saem sozinhas.

Empresários, advogados, engenheiros que estudaram, trabalharam, alcançaram sucesso profissional e, sozinhos. Tem mulher contratando homem para dançar com elas em bailes, os novíssimos "personal dance", incrível. E não é só isso não, se fosse, era resolvido fácil, alguém duvida?

(...)Tornamo-nos máquinas e agora estamos desesperados por não saber como voltar a "sentir", só isso, algo tão simples que a cada dia fica tão distante de nós.

Quem duvida do que estou dizendo, dá uma olhada no site de relacionamentos Orkut, o número de comunidades como "Quero um amor para a vida toda", "Eu sou pra casar!" até a desesperançada "Nasci para ser sozinho".

Unindo milhares, ou melhor, milhões de solitários em meio a uma multidão de rostos cada vez mais estranhos, plásticos, quase etéreos e inacessíveis.

(...)Todo mundo quer ter alguém do seu lado, mas hoje em dia é feio, démodé, brega. Alô, gente! Felicidade, amor, todas essas emoções nos fazem parecer ridículos, abobalhados, e daí? Seja ridículo, não seja frustrado, pague mico, saia gritando e falando bobagens, você vai descobrir mais cedo ou mais tarde que o tempo para ser feliz é curto, e cada instante que vai embora não volta mais (estou muito brega!). Aquela pessoa que passou hoje por você na rua, talvez você nunca mais volte a vê-la, quem sabe ali estivesse a oportunidade de um sorriso à dois.

Quem disse que ser adulto é ser ranzinza, um ditado tibetano diz que se um problema é grande demais, não pense nele. Dá para ser um homem de negócios e tomar iogurte com o dedo ou uma advogada de sucesso que adora rir de si mesma por ser estabanada; o que realmente não dá é continuarmos achando que viver é out, que o vento não pode desmanchar o nosso cabelo ou que eu não posso me aventurar a dizer para alguém: vamos ter bons e maus momentos e uma hora outra, um dos dois, ou quem sabe os dois, vão querer pular fora. Mas se eu não pedir que fique comigo, tenho certeza de que vou me arrepender pelo resto da vida."

(Arnaldo Jabor, 25/02/2010)


- Dedicado à Camila Harms, companheira de afeições, aflições e outros temas de utilidade prática, ou não.
- Dedicado à todas as pessoas que, assim como eu, absorvem a vida com um único propósito de dedicar, produzir, inventar e exalar amor.




sábado, 22 de maio de 2010

Desapego

"Ah, fumarás demais, beberás em excesso, aborrecerás todos os amigos com tuas histórias desesperadas, noites e noites a fio permanecerás insone, a fantasia desenfreada e o sexo em brasa, dormirás dias adentro, noites afora, faltarás ao trabalho, escreverás cartas que não serão nunca enviadas, consultarás búzios, números, cartas e astros, pensarás em fugas e suicídios em cada minuto de cada novo dia, chorarás desamparado atravessando madrugadas em tua cama vazia, não consegurás sorrir nem caminhar alheio pelas ruas sem descobrires em algum jeito alheio o jeito exato dele, em algum cheiro estranho o cheiro preciso dele(...)"

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Novo Mundo

Existe um lugar onde tudo funciona com um simples sopro de vida. Onde tudo é tão admirável que horas são precisas para se admirar todas as coisas, com uma decência exata. Onde respirar e expirar são fenômenos, cada manifestação de existência é singular e cada pessoa é um fato inédito.


Há igualdade em ser diferente e diferença em ser igual. Há pessoas que gostam de café e pessoas que não dispensam coca-cola no café-da-manhã. Pessoas que não receberam aulas de ortografia mas nasceram com a poesia correndo nas veias, e enchem folhas de caderno com grandes composições e palavras ilegíveis. Há quem acorde de manhã para correr e quem corre o dia inteiro. Não há apenas homens e homens, mulheres e mulheres, homens e mulheres, há seres inclassificáveis. Há quem pede beijos no meio da tarde e quem não perde por esperar. Há pessoas que não pensam em ninguém e amam o mundo inteiro. Há pessoas e Pessoas.


Aqui eu posso andar como uma andarilha, anotando minhas pequenas impressões de tudo. Posso andar entre os pais de família, donas-de-casa, operários das fábricas, politicamente corretos e todas essas categorias de humanos zumbis, que nenhum deles irá me machucar. Posso ser alguém completamente diferente durante uma ligação telefônica, que ninguém saberia a diferença. Posso salvar o dia sem temer as kriptonitas por aí. Posso encurtar caminhos, desmistificar a distância e fazer da saudade uma fonte de escape para voltar a hora que eu quiser. Estou em São Paulo, estou em Baltimore, estou em Santa Monica ou estou aqui no interior. E de repente, não estou mais em lugar nenhum.


Aqui onde eu não moro.
Aqui eu não existo.




Porra, vida. Quem te escreveu assim?

domingo, 9 de maio de 2010

Direitos de uma carta

A última carta:
"Querida Holly, 
 Eu não tenho muito tempo, não digo literalmente...É que você foi comprar sorvete e vai voltar logo! Mas tenho a impressão de que é a última carta porque só resta uma coisa pra dizer, não é para se lembrar sempre de mim ou comprar um abajur por causa disso, você pode se cuidar sem a minha ajuda, é para dizer como você mexeu comigo, como você me ajudou me amando, você fez de mim um homen, Holly, e por isso eu sou eternamente grato, literalmente. Se pode me prometer alguma coisa, prometa que sempre que se sentir triste ou insegura ou perder completamente a fé vai tentar olhar para si mesma com meus olhos. Obrigado pela honra de ter você como esposa, eu não tenho o que lamentar, tive muita sorte. Você foi a minha vida Holly, mas eu sou apenas um capítulo da sua. Haverá mais, eu prometo, portanto aqui vai o meu grande conselho: não tenha medo de se apaixonar de novo, fique atenta àquele sinal de que não haverá mais nada igual.
P.S. Eu sempre vou te amar."

(Filme - Ps: I Love You)